LINCOLN
(Lincoln, 2012, 150 min)
Produção:
Estados
Unidos
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Tony Kushner,
baseado parcialmente na biografia Team of
Rivals: The Political Genius Abraham Lincoln (2005), de Doris Kearns
Goodwin.
Elenco: Daniel Day-Lewis,
Tommy Lee Jones, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James
Spader, Hal Holbrook, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake
Nelson, Joseph Cross, Jared Harris, Lee Pace.
“Lincoln”
(2012)
de Steven Spielberg não é, a rigor, uma cinebiografia daquele que é considerado
o maior de todos os presidentes americanos. O filme na verdade se concentra nos
últimos meses do seu mandato em 1865, e a guerra civil já devastava o país há
quatro anos. A guerra começou entre os Estados do Sul, agrário e escravocrata,
e os do Norte, industrializado e desenvolvido. Quando o filme começa, o Norte
(que representa a União) está próximo de ganhar a guerra sobre os estados
revoltosos, e o presidente (interpretado por Daniel Day-Lewis) esforça-se para
aprovar no congresso a 13ª emenda, para acabar com a escravidão de uma vez por
todas. O problema é que poucos, além de Lincoln, queriam a emenda. Dentro do
seu partido, o republicano, havia divisões; o partido rival, o democrata, era
fervorosamente antiabolicionista. Lincoln precisava de mais 20 votos para fazer
passar a emenda que mudaria a história do país, e para isso não hesitou em
cooptar apoios, conceder empregos por baixo do pano e fazer alianças – ou seja,
praticando a boa e velha “politicagem” tão conhecida em nosso país (e claro,
sem se envolver diretamente).
Fazer “Lincoln” era um projeto antigo de
Spielberg. O resultado final é o de um filme geralmente sóbrio para os padrões spielberguianos.
Todos os aspectos da produção seguiram esse paradigma da sobriedade: a
fotografia de tons frios; a trilha discreta de John Williams; os movimentos de
câmera esparsos e pouco frequentes. Spielberg preferiu se concentrar no roteiro
e filmá-lo de forma elegante e tranquila – o roteiro do filme, baseado em
livros sobre Lincoln, foi escrito pelo renomado dramaturgo Tony Kushner, autor
também do melhor filme do diretor na década passada, o ainda pouco reconhecido
“Munique” (2005).
E a sua condução do elenco é exemplar. Ao
longo do filme vemos um inacreditável grupo de atores, todos ótimos: Hal
Holbrook, David Strathairn, John Hawkes, Jared Harris, James Spader, Joseph
Gordon-Levitt, Sally Field e Tommy Lee Jones. Mas, por melhores que estejam os
coadjuvantes, acima de todos paira a interpretação de Daniel Day-Lewis. É
impressionante como, em todos os filmes dos quais participou, o ator sempre
apareceu como uma pessoa completamente diferente, e em “Lincoln” vemos outro
monumental trabalho de caracterização. Ele é tranquilo, enérgico quando precisa
ser e até encontra o humor do personagem, transmitido nos “causos” frequentes
que o presidente conta. Cada fala, cada inflexão, todos os movimentos e sua
postura revelam a personalidade do personagem. “Lincoln” de Spielberg não deixa
de “endeusar” o presidente, mas seus atos falam por si. Trata-se de um homem
que viu um futuro melhor para o seu país, uma oportunidade para a sua sociedade
evoluir e deixar para trás a mácula da escravidão. Ele teve essa visão e a
perseguiu ferrenhamente, sem concessões.
INDICAÇÕES
(2 vitórias):
1. Melhor Filme: Kathleen Kennedy e Steven
Spielberg
2. Melhor Diretor: Steven Spielberg
3. Melhor Ator: Daniel Day-Lewis – venceu
4. Melhor Ator Coadjuvante: Tommy Lee Jones
5. Melhor Atriz Coadjuvante: Sally Field
6. Melhor Roteiro Adaptado: Tony Kushner
7. Melhor Fotografia: Januzs Kaminski
8. Melhor Direção de Arte: Jim Erickson e
Rick Carter – venceu
9. Melhor Figurino: Joanna Johnston
10. Melhor Edição: Michal Kahn
11. Melhor Edição de Som: Andy Nelson, Gary
Rydstrom e Ron Judkins
12. Melhor Trilha Sonora: John Williams
por
Ivanildo Pereira




