domingo, 28 de outubro de 2012

Opiniões - Parte 2



Verna Fields, depois de uma indicação em 1974 por "Loucuras de Verão" (1973), recebe a estatueta pelo seu trabalho na edição do filme "Tubarão" (1975). À época, atribuiu-se o sucesso do filme, sobretudo, a ela e a John Williams, responsável pela composição da trilha sonora.

Em 1976, “Um Estranho no Ninho” (1975) fez história no Oscar ao se tornar um dos raríssimos vencedores dos cinco principais prêmios – Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro (no caso, Melhor Roteiro Adaptado). Tal consagração é absolutamente merecida, pois o filme provou ter qualidades atemporais e ainda hoje permanece como um dos mais emblemáticos a explorar o tema “liberdade individual vs. conformismo”. É uma história que não envelhece, continua engraçado e comovente, e é uma das grandes realizações do cinema americano em todos os tempos.

O feito de “Um Estranho no Ninho” é ainda mais impressionante quando se observa a concorrência daquele ano. “Nashville” (1975), “Tubarão” (1975), “Um Dia de Cão” (1975) e “Barry Lyndon” (1975) são trabalhos de diretores que se tornaram verdadeiras lendas do cinema, e qualquer um poderia ter levado o prêmio de Melhor Filme sem problemas. Esta foi realmente uma época especial no cinema americano, quando obras tão autorais e ousadas quanto estas – bem como outras indicadas em categorias importantes – eram a regra e não exceção, e ainda conseguiam atrair o interesse do público.

Além dos cinco principais, vários dos demais indicados, como “O Dia do Gafanhoto” (1975), “Shampoo” (1975), “Amarcord” (1973) e “Tommy” (1975) são tão diferentes que simplesmente não poderiam ser feitos mais hoje. São produtos de cineastas muito especiais, cuja criatividade não era tolhida pelos estúdios – pelo contrário, era estimulada. E temas polêmicos estavam presentes em vários dos filmes na disputa naquele ano: a homossexualidade, importante componente em “Um Dia de Cão” (1975); o nazismo visto por um novo ponto de vista em “O Homem na Caixa de Vidro” (1975); a liberação sexual feminina discutida em “Shampoo”; o colonialismo e a exploração dos povos subdesenvolvidos em “O Homem que Queria Ser Rei” (1975)... Analisando-se essas obras, percebe-se que o cinema já discutiu mais frequentemente temas relevantes para a sociedade (bem mais que hoje, pelo menos).

E o fato da maioria desses filmes ter sobrevivido ao tempo e continuarem bons prova a força da produção cinematográfica e da premiação do Oscar naquele ano. Sempre ouvimos da Academia a conversa de que eles divulgam a excelência cinematográfica e premiam os melhores filmes do mundo. Em 1976, eles realmente fizeram jus ao seu discurso, como poucas vezes desde então.

por Ivanildo Pereira

2 comentários:

Kamila disse...

Foi justamente isso que eu comentei no post anterior: o feito de "Um Estranho no Ninho", uma das poucas obras a ter conquistado os cinco Oscars principais, é notável, especialmente se levarmos em consideração a excelente seleção de filmes do Oscar 1976.

Alexandre Alves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.