domingo, 4 de novembro de 2012

Julia Roberts: "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento"



JULIA ROBERTS (28/10/1967 – Geórgia, Estados Unidos)
Primeiro filme: Firehouse (1987, não-creditada) | Satisfaction (1988)
Principais trabalhos: “Uma Linda Mulher” (1990), “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999), “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento” (2000), “Closer – Perto Demais” (2004).
Indicações ao Oscar: 1990 – Melhor Atriz Coadjuvante: Flores de Aço || 1991 – Melhor Atriz: Uma Linda Mulher || 2001 – Melhor Atriz: Erin  Brockovich – Uma Mulher de Talento - venceu

O diretor Steven Soderbergh estava em alta no final dos anos 90 e, sempre imprevisível, resolveu dirigir um drama baseado na luta real de Erin Brockovich. No começo da década, Erin e sua pequena firma de advocacia encararam uma grande corporação que havia envenenado o suprimento de água numa pequena cidade, causando várias mortes e problemas de saúde. Foi um dos maiores processos da história recente americana contra uma corporação multibilionária, uma história que praticamente implorava para ser filmada. Soderbergh escolheu Julia Roberts, na época a maior estrela de cinema do mundo, para o papel de Erin, e a escolha mostrou-se acertada.

Erin era uma mulher sem classe, desbocada e ainda por cima mãe solteira na época em que os eventos reais ocorreram. Nunca foi advogada, mas sua determinação chamou a atenção da firma na qual trabalhava, e graças ao seu esforço investigativo o processo foi levado à sua conclusão. Para viver Erin, Julia Roberts se despe de qualquer glamour e demonstra um verdadeiro talento como atriz. Seu figurino chamativo, seu penteado e os palavrões que de vez em quando a personagem deixa escapar são instrumentos usados ao máximo por Julia, e sua atuação rapidamente desarma o espectador. Logo esquecemos estar vendo a mega-star, e passamos a prestar atenção apenas na sua personagem. A Erin Brockovich do filme é bem humorada (quase sempre), forte e decidida, verossímil a todo o momento.

Soderbergh também soube usar o carisma natural de Julia. Para o papel, ele realmente precisava de alguém capaz de conquistar as pessoas, e a experiência foi tão boa que eles acabaram trabalhando juntos novamente em outros filmes. O sorriso (e às vezes o decote) de Julia realmente ilumina a tela, mas acima disso vemos em “Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento” (2000) um inteligente e preciso desempenho de uma atriz muitas vezes subestimada. Muitos argumentam que o desempenho da concorrente Ellen Burstyn em “Réquiem para um Sonho” (2000) é mais ousado, difícil e o legítimo merecedor do prêmio, porém Julia Roberts tem neste filme o melhor momento de sua carreira e é a peça mais importante do filme. Por isso, sua vitória não parece descabida em momento algum.

por Ivanildo Pereira

3 comentários:

Luís disse...

Ivanildo, concordo totalmente com você acerca de que Julia Roberts é a peça mais acertada desse filme. Aliás, eu não consigo imaginar o filme sem ela, mesmo que a personagem seja, no meu entendimento de mundo, bastante díspar em relação à figura que Roberts representa. Quando penso nela, penso na ingenuidade vista em "Uma Linda Mulher" (1990) ou ainda aquela postura elegante e discreta de "Um Lugar Chamado Notting Hill" (1999) - Erin Brockovich é uma personagem verdadeiramente interessante na carreira da atriz. E concordo com você que esse foi o seu melhor momento, apesar de achá-la fundamental em "Closer - Perto Demais", pelo qual, aliás, ela merecia uma nominação.

Não acho que o seu Oscar se deva exclusivamente à sua interpretação aqui, mas no seu histórico naquele começo de década como a atriz mais bem paga, a atriz de maior bilheteria e, enfim, a atriz que parecia estar indubitavelmente na mente dos votantes devido a todos os seus então sucessos comerciais - difícil votar em outra atriz quando Roberts tem, combinados, um excelente desempenho no filme pelo qual foi nominada e nos que vieram no ano anterior. Um combo de informações levaram-na ao prêmio. Fosse só o desempenho, penso que Burstyn teria levado.

E como gosto de Julia, adoro-a nesse filme, acho sua interpretação muito equilibrada e segura. E ela conseguiu tantas assinaturas fazendo boquetes, segundo ela mesma, genial!

Serginho Tavares disse...


concordo totalmente com você: um filme delicioso, feito especialmente pra ela!

Rodrigo Mendes disse...

Um dos grandes momentos de Julia e Soderbergh e atualmente, nem imprevisível podemos dizer que ele está, aliás, seus últimos filmes demonstram isso.

Abraço.