domingo, 13 de janeiro de 2013

A Última Tentação de Cristo



A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (The Last Temptation of Christ, 1988, 164 min)
Produção: Estados Unidos | Canadá
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader, baseado no romance de Nikos Kazantzakis
Elenco: Willem Dafoe, Harvey Keitel, Barbara Hershey, Verna Bloom, Steve Hill, Gary Basabara, Irvin Kershner, Victor Argo, Michael Been, Paul Herman, John Lurie, Leo Burmester, Andre Gregory, Peggy Gormley, Randy Danson, Tomas Arana, Alan Rosenberg, Harry Dean Stanton, David Bowie, Juliette Caton.

Filmar o livro “A Última Tentação de Cristo” (1953) de Nikos Kazantzakis foi um projeto dos sonhos do diretor Martin Scorsese por muitos anos. Ele finalmente conseguiu realizá-lo por uma ninharia e o apoio surpreendente do estúdio Universal, que já se preparava para a controvérsia. O livro mostrava um retrato mais humano – e porque não, mais plausível – de Jesus Cristo. Um Cristo com dúvidas, reticente e relutante do seu papel como salvador, e tentado pelo amor terreno por Maria Madalena. Durante a crucificação, ele tem um sonho de como seria sua vida caso não cometesse o sacrifício supremo pela humanidade.

Falar sobre religião é sempre garantia de polêmica. Religiosos nem quiseram ver a obra, denunciaram Scorsese publicamente e o diretor chegou a receber ameaças de morte. Cinemas foram incendiados e o filme foi banido em vários países. Uma pena, pois o filme de Scorsese desrespeita alguns dogmas, mas mantém-se integro aos ensinamentos de Cristo, além de demonstrar claramente a dicotomia interna do diretor, sempre dividido entre o céu e o inferno, como bem se observa em vários dos seus trabalhos. Scorsese usa seu aparato técnico de forma perfeita: trilha sonora envolvente, imagens e movimentos de câmera espetaculares, e extrai grandes atuações de seu elenco, que inclui Willem Dafoe como Jesus, seus velhos amigos Barbara Hershey e Harvey Keitel como Maria Madalena e Judas Iscariotes respectivamente, e até mesmo uma ponta de David Bowie como Pôncio Pilatos.

Numa era em que o cinema americano se tornava cada vez mais formulaico e superficial, Scorsese mostrou que a garra de um diretor e a vontade de se contar uma história muito pessoal frequentemente rendem os melhores trabalhos. Ele não perdeu a garra desde então, mas o fascinante “A Última Tentação de Cristo” (1988) permanece como um marco ainda relativamente pouco reconhecido em sua carreira.

INDICAÇÃO:
- Melhor Diretor: Martin Scorsese

por Ivanildo Pereira

3 comentários:

Emerson Henrique disse...

Eu mesmo torcia o nariz para esse filme do Scorsese, mas me sinto enganado após ler sua crítica! Vou procurar já!

Abraço

Maurício Owada disse...

Assisti faz tempo, e pra quem está acostumado com a história descrita na Bíblia, há diversas alterações na história, mas necessárias a trama e a mensagem que ele passa. Entre os dois filmes polêmicos que envolvem Jesus, prefiro este, pois não têm um caráter apelativo como a de Mel Gibson, mas é muito mais profundo do que possa parecer.

Fernanda Wainer disse...

Só duas observações. Quanto sua crítica, a história contado no filme não é mais plausível coisíssima nenhuma. Quanto a um dos comentários presentes aqui, o filme de Gibson não é apelativo. Sem mais.