segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Mississipi em Chamas



MISSISSIPI EM CHAMAS (Mississipi Burning, 1988, 128 min)
Produção: Estados Unidos
Direção: Alan Parker
Roteiro: Chris Gerolmo
Elenco: Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand, Brad Dourif, R. Lee Ermey, Gailard Sartain, Stephen Tobolowsky, Michael Rooker, Kevin Dunn, Pruitt Taylor Vince.

Um dos personagens racistas de “Mississippi em Chamas” (1988) afirma, a certa altura do longa, que existem duas culturas convivendo naquele estado sulista americano: a dos brancos e a das pessoas de cor. Lá tudo é separado: um bebedouro para brancos e outro para negros, diferentes banheiros, lugares reservados nos restaurantes... O filme de fato retrata bem uma época terrível da história americana, quando o governo, influenciado pelo movimento pelos direitos civis, decidiu pôr fim à segregação racial. Nem que fosse pela força e total aplicação da lei, a segregação no país deveria ser abolida.

Na trama, passada em 1964 e parcialmente inspirada em eventos reais, dois ativistas dos direitos civis e um rapaz negro são assassinados e têm seus corpos ocultados. Chegam à cidade dois agentes do FBI para investigar o caso. O mais jovem, Ward (Willem Dafoe), é certinho, mas determinado. O mais velho, Anderson (Gene Hackman), é durão, cínico e sabe como as coisas funcionam naquele lugar. Logo ambos entram em conflito com a Ku Klux Klan, responsável pelos assassinatos, e descobrem que pode ser necessário driblar as leis para punir os culpados.

O diretor Alan Parker filma em locação, com figurantes que garantem a autenticidade, e consegue boas atuações do elenco, especialmente Hackman (fantástico) e Frances McDormand, como a esposa do auxiliar de xerife que pode guardar a solução do mistério – ambos foram indicados ao Oscar. Porém, Parker parece mais interessado em prender a atenção do espectador e em reconstituir a época do que dizer algo realmente relevante sobre o racismo nos Estados Unidos. O roteiro vagueia um pouco na metade da história, só voltando a empolgar quando retoma o item principal: a personagem de McDormand. E para um filme com esse tema, surpreendentemente, quase não há personagens negros, e os que aparecem têm pouco tempo de tela. O ponto de vista dos negros não é ouvido em “Mississippi em Chamas”, que funciona como suspense, mas é um pouco raso ao abordar esse assunto tão polêmico.

INDICAÇÕES (1 vitória):
1. Melhor Filme: Frederick Zollo e Robert F. Colesberry
2. Melhor Diretor: Alan Parker
3. Melhor Ator: Gene Hackman
4. Melhor Atriz Coadjuvante: Frances McDormand
5. Melhor Fotografia: Peter Biziou – venceu
6. Melhor Edição: Gerry Himbling
7. Melhor Som: Robert J. Litt, Rick Kline, Elliot Tyson e Danny Michael

por Ivanildo Pereira

2 comentários:

Kamila disse...

Sou fã absoluta do Alan Parker e, pra mim, "Mississipi em Chamas" é um dos grandes filmes de sua carreira. Acho uma obra contundente e ainda atual, com um tema forte e que foi muito bem trabalhado. Uma pena que pouca gente conheça e tenha assistido.

Serginho Tavares disse...

eu adoro este filme e acho que foi muito, muito, muito injustiçado no Oscar